Não existe um mau abraço, somente bons e ótimos abraços.
Abraços são dietéticos; não causam câncer ou cáries.
Abraços são totalmente naturais, não requer preservativos, ingredientes artificiais ou pesticidas. Abraços são livres de colesterol, adoçados naturalmente, Fat-Free, 100% disponíveis na natureza e totalmente recicláveis.
Abraços são fáceis de transportar, não necessitam baterias, sintonização ou Raio-X.
Abraços são isentos de impostos, totalmente regeneráveis e auto-eficientes energicamente.
Abraços são seguros em qualquer tipo de clima. Na verdade, abraços são especialmente aconselháveis para dias frios e chuvosos.
Abraços são excepcionalmente efetivos no tratamento de problemas como:
pesadelos e depressão da segunda-feira.
Nunca deixe para amanhã se você pode abraçar alguém hoje, porque quando você dá um abraço em alguém, no mesmo instante você recebe um de volta.
Para você, um abraço especial!
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Free Hugs Campaign
sábado, 7 de abril de 2007
Qualquer semelhança não é mera coicidência!
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás!
Como essa gatinha me faz feliz!!!
E eu prometo que será muito bem cuidada, alimentada e acarinhada...
Marie, te farei feliz como você me faz!
- Da mamãe, Nina
terça-feira, 3 de abril de 2007
sexta-feira, 2 de março de 2007
Começar de novo
"Às vezes é necessário abandonar... Deixar velhos conceitos de lado, rever amizades, manias que nos escravizavam, sentimentos que nos aprisionavam. Abandonar tudo aquilo que um dia até tenha nos feito bem, mas que agora não faz mais... Esvaziar a mente, curar o coração, entrar em reforma, conhecer a si mesmo!... Se apaixonar pelo que você tem de melhor... Se necessário, "sumir!"... Mas é indispensável que você tenha um tempo só para você, um momento único e exclusivo seu. Respeitar suas dores, angústias, gostos, sentimentos, planos e principalmente seus sonhos... Todos merecem uma segunda chance, inclusive nós mesmos!"
- Retirado do Orkut da minha irmãzinha do coração: Mariana -
sábado, 17 de fevereiro de 2007
História sobre o Amor
O sonho a gente só se da conta dele depois que acorda. Depois que ele acabou fica aquela vontade na gente de sonhar mais um pouquinho... Existem pessoas que são um sonho, um sonho pelo qual a gente dormiria a vida inteira, mas o destino vem, nos acorda e nos leva aquele sonho tão bom... Existem pessoas que são estrelas, luzes que enfeitam e iluminam as noites escuras de nossas vidas... Mas vem o amanhecer e nos rouba com toda a sua claridade aquela estrela tão linda. Existem pessoas que são flores; Belezas discretas que alegram o nosso caminho; Mas com o tempo, as flores murcham... Existem as pessoas que são simplesmente amor. Um amor doce como o mel de uma flor que desabrochou numa estrela e que veio pra mim num lindo sonho... E ainda bem que é amor, porque flores, estrelas ou sonhos, mais cedo ou mais tarde, terminam; Mas o amor... O AMOR NÃO TERMINA NUNCA!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Como você me faz feliz...!
Pois é, já são quase 11 meses juntos.
Até agora foi tudo maravilhoso, prá não dizer perfeito! Meu complemento perfeito.
Nossas conversas, brincadeiras, viagens, baladas...
Difícil te definir... Simplesmente posso dizer você é um SORRISO!
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
- por Marina Colasanti in "Eu sei, mas não devia" -
Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1996
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Um outro ponto de vista
Dizem que havia um cego sentado na calçada, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: "Por favor, ajude-me, sou cego".
Um publicitário da área de criação que passava em frente a ele parou e viu umas poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o, pegou o giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora.
Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas. O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia colocado. O publicitário respondeu:
- "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras". Sorriu e continuou seu caminho.
O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: "Hoje é Primavera, e não posso vê-la".
Mudemos a estratégia quando não nos acontece alguma coisa.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Fé - pensando mais além
Hoje quero falar um pouco sobre Fé. Na última segunda feira, esse foi o tema da palestra lá no Centro Espírita. Foi uma palestra muito legal, esclarecedora e, apesar de parecer à primeira vista, não foi um assunto que girou em torno de religiosidade. Na verdade, o significado de fé pode ter várias vertentes. Mas a que eu quero tratar aqui hoje tem um significado muito mais profundo: o de confiança, perseverança, crédito, acreditar realmente no que se quer, no que se busca.
Esse assunto é muito explorado pelo lado religioso, mas nos esquecemos que ele pode ser aplicado perfeitamente no nosso cotidiano, excluíndo o fanatismo que normalmente vem carregado aí. Podemos pegar um exemplo nos livros de história onde os Protestantes, com o uso da fé, criaram uma grande potência onde antes era uma terra sem nada e haviam só excluídos. Hoje se chama Estados Unidos. Opiniões à parte a respeito dos EUA, mas é inegável que eles se desenvolveram muito e que sua fé foi um grande instrumento.
O que eu quero dizer nessa história toda é que não adianta se esforçar, almejar aquele cargo na empresa ou o corpinho sarado para o verão se realmente você não quiser. Ter fé que vai chegar lá ou, em outras palavras, acreditar realmente que pode e lutar com todas as forças.
Essa confiança em nós mesmos tem que ser algo verdadeiro, profundo. Não adianta dizermos pelos quatro cantos uma coisa se, lá no nosso íntimo, resta alguma dúvida. Se nem a gente mesmo acreditar, quem mais irá?
Quem pode nos levar a algum lugar somos só nós mesmos. Tenha competência. Força prá lutar e mudar. Dia após dia, constrói-se um mundo inteiro, mas é necessário obstinação para isso. Hoje, pare um pouquinho e olhe lá para dentro de você mesmo. Será que as grandes barreiras que a vida nos impõe não foram postas por nós mesmos? Ou nós temos fé o suficiente para acreditar que vamos superar, atravessar esse muro que parece ser tão alto? Se acreditarmos realmente, esse muro pode ser bem menor do que parece. É só querer.
Aliás, se pensarmos bem, a fé no ajuda a quebrar muitas barreiras, de nos fazer acreditar e lutar por ideais muito maiores que aqueles que nos aparecem sem muito esforço. Justamente essas coisas conseguidas com tanto suor são as que têm um melhor gostinho, não é mesmo?
Então, pense que pode. Afinal, só depende de você. Pode parecer clichê, mas na frase "Querer é Poder", a palavra poder tem duplo sentido: o de verbo ou o de substantivo.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Redação de menino
A professora pediu aos alunos que fizessem uma redação e nessa redação o que eles gostariam que Deus fizesse por eles.
À noite, corrigindo as redações, ela se depara com uma que a deixa muito emocionada.
O marido, nesse momento, acaba de entrar, a vê chorando e diz:"O que aconteceu?"
Ela respondeu: "leia". Era a redação de um menino.
"Senhor, esta noite te peço algo especial: me transforme em um televisor. Quero ocupar o seu lugar.
Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao redor.
Ser levado a sério quando falo. Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem questionamentos.
Quero receber o mesmo cuidado especial que a tv recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado.
E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me.
E ainda que meus irmãos "briguem" para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.
E, por fim, que eu possa divertir a todos. Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisor!"
Naquele momento, o marido da professora disse: "Meu Deus, coitado desse menino. Nossa, que coisa esses pais".
E ela olha e diz:"Essa redação é do nosso filho".
À noite, corrigindo as redações, ela se depara com uma que a deixa muito emocionada.
O marido, nesse momento, acaba de entrar, a vê chorando e diz:"O que aconteceu?"
Ela respondeu: "leia". Era a redação de um menino.
"Senhor, esta noite te peço algo especial: me transforme em um televisor. Quero ocupar o seu lugar.
Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao redor.
Ser levado a sério quando falo. Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem questionamentos.
Quero receber o mesmo cuidado especial que a tv recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado.
E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me.
E ainda que meus irmãos "briguem" para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.
E, por fim, que eu possa divertir a todos. Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisor!"
Naquele momento, o marido da professora disse: "Meu Deus, coitado desse menino. Nossa, que coisa esses pais".
E ela olha e diz:"Essa redação é do nosso filho".
segunda-feira, 25 de dezembro de 2006
Noite de Natal
Borboleta
"Borboleta pequenina que vem para nos saldar
venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal
Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
ando no meio das flores procurando quem me queira
Boboleta pequenina saia fora do rosal
venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal
boboleta pequenina venha para o meu cordão
venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal
eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
ando no meio das flores procurando quem me queira
borboleta pequenina sai fora do rosal
venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal."
venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal
Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
ando no meio das flores procurando quem me queira
Boboleta pequenina saia fora do rosal
venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal
boboleta pequenina venha para o meu cordão
venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal
eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
ando no meio das flores procurando quem me queira
borboleta pequenina sai fora do rosal
venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal."
domingo, 17 de dezembro de 2006
O que é ser Médico....
Você trabalha em horários estranhos.
Que nem as putas!
Te pagam pra fazer o cliente feliz.
Que nem as putas!
Seu trabalho sempre vai além do expediente.
Que nem as putas!
Seus amigos se distanciam de você, e você só anda com outros iguais a você.
Que nem as putas!
Seu chefe tem um lindo carro.
Que nem as putas!
Quando vai ao encontro do cliente, você tem de estar sempre apresentável.
Que nem as putas!
Mas quando você volta, parece saído do inferno.
Que nem as putas!
O cliente quer sempre pagar menos e que você faça maravilhas.
Que nem as putas!
Todo dia, ao acordar, você diz: "NÃO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA FAZENDO ISSO.
Que nem as putas!
Se as coisas dão errado, é sempre culpa sua.
Que nem as putas!
Você sempre acaba fazendo serviços de graça para o chefe, os amigos e familiares.
Que nem as putas!
Apesar de tudo isso, você trabalha com prazer.
Que nem as putas!
Puta merda - você tem certeza de que é um médico mesmo...??
Que nem as putas!
Te pagam pra fazer o cliente feliz.
Que nem as putas!
Seu trabalho sempre vai além do expediente.
Que nem as putas!
Seus amigos se distanciam de você, e você só anda com outros iguais a você.
Que nem as putas!
Seu chefe tem um lindo carro.
Que nem as putas!
Quando vai ao encontro do cliente, você tem de estar sempre apresentável.
Que nem as putas!
Mas quando você volta, parece saído do inferno.
Que nem as putas!
O cliente quer sempre pagar menos e que você faça maravilhas.
Que nem as putas!
Todo dia, ao acordar, você diz: "NÃO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA FAZENDO ISSO.
Que nem as putas!
Se as coisas dão errado, é sempre culpa sua.
Que nem as putas!
Você sempre acaba fazendo serviços de graça para o chefe, os amigos e familiares.
Que nem as putas!
Apesar de tudo isso, você trabalha com prazer.
Que nem as putas!
Puta merda - você tem certeza de que é um médico mesmo...??
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Tempestade
Ah... essa chuva que tem tantos significados gostosos prá gente, né?
Tão bom essa aguinha benta que cai do céu prá lavar todas as coisas ruins e só deixar as coisas gostosas! Gostosas como nós dois juntinhos debaixo de uma tempestade, gostosas como um beijo roubado (lembra?), ou então a luz roubada da avenida mais iluminada! Incrível...
É tão bom andar debaixo dela, ouvir seu barulhinho ou o cheiro de chuva... Assim como é bom brincar, te namorar, te beijar ou acordar ao seu lado.
Mais gostoso que tudo isso, é ter a certeza da vida inteira com você, assim como a certeza de que um dia vai, outro vem... Mas nossa chuva logo virá mais uma vez para nos abraçar e abençoar.
domingo, 15 de outubro de 2006
sábado, 30 de setembro de 2006
Flores, Flores para los Muertos
Sempre que os fatos ganham velocidade, costumo comprar um bloco de notas. Anoto frases, idéias, intuições e deixo que se decantem com o tempo. Volto a elas, depois, para rejeitá-las ou desenvolvê-las. A primeira frase que me veio à cabeça foi a da vendedora de flores que encerra um filme. O pequeno bloco também tem idéias. Por exemplo: comparar a ditadura com o governo Lula. Uma neutralizou o Congresso pelo medo; o outro, pelo pagamento de mesada.
Ditadura e governo Lula compartilham o mesmo desprezo pela democracia, ambos violentaram a democracia reduzindo o Parlamento a uma ruína moral. Os militares prepararam sua saída de forma organizada. Nem muito devagar para não parecer provocação, nem muito rápido para não parecer que estavam com medo. Já o núcleo duro do governo Lula parece perdido, batendo cabeça, ou melhor, enfiando-a na areia, sem perceber que a polícia está chegando e, daqui a pouco, alguém vai gritar na porta do Planalto: "Se entrega, Corisco".
Quando era menino e vivia em Juiz de Fora, fazíamos rodas de capoeira, bastante rudimentares, confesso. Mas cantávamos: "A polícia vem, que vem brava / quem não tem canoa, cai n'água". Tudo isso jorra aos borbotões na minha caderneta. Anotei: chamar alguém do "Guinness", o livro dos recordes, para saber se algum tesoureiro de qualquer partido do mundo se desloca com batedores de motocicleta e carros clones para iludir perseguidores; se algum tesoureiro partidário se desloca com jatos particulares, semanalmente; se introduz no palácio associação de empreiteiros que receberam R$ 1,1 bilhão de dívidas.
Os militares batiam, davam choques e insultavam na sessão de tortura, mas vi muitos dizendo que me respeitavam porque deixei um bom emprego para combatê-los com risco de vida. Eles viam ideais no meu corpo arrasado pelo tiro e pela cadeia. O PT queria que eu abrisse mão exatamente da minha alma, e me tornasse um deputado obediente, votando tudo o que o Professor Luizinho nos mandava votar. Os militares jamais pediriam isso. Desde o princípio, disseram que eu era irrecuperável e limitaram-se à tortura de rotina. Jamais imaginei que seria grato aos torturadores por não me pedirem a alma. Não sabia que dias tão cinzentos ainda viriam pela frente. Que seria liderado por um homem que achava que Maurício de Nassau era um deputado de Pernambuco. Logo eu, que sou admirador de um deputado pernambucano chamado Joaquim Nabuco. Foram os anos mais duros de minha vida. No meu caderno anoto frases e indicações da semelhanças da luta contra a ditadura e da luta contra este governo, desde que comecei a criticá-lo, com a importação de pneus usados.
As pessoas têm suas carreiras, seus empregos, sua racionalizações. É preciso respeitá-las, atravessar o deserto sem ressentimentos. Agora, sobretudo, é preciso respeitar o sofrimento dos vencidos. Outro dia, quando me referi a um núcleo na Casa Civil como um bando de ladrões que atentava contra a democracia, uma jovem deputada do PT estremeceu. Senti que não estava ainda preparada para essas palavras cruas. E fui percebendo pelas anotações que talvez esteja aí, para o escritor, o mais rico manancial de toda essa crise. Como estão as pessoas do PT? Como se ajustam a essa nova realidade, que destino tomaram na vida?
Procuro não confundir, entre os que ainda defendem o governo, aqueles que são cínicos cúmplices e os outros, que apenas obedeceram a ordens sob a forma da aplicação do centralismo democrático. Alguns defendem porque ainda não conseguiram negociar com sua própria dor. Não podem suportá-la de frente. Mas terão de fazer algum dia, porque, por mais ingênuos que sejam, já perceberam que a mãe está no telhado.
Vamos ter de encarar juntos essa realidade. A grande experiência eleitoral da esquerda latino-americana, admirada por uma Europa desiludida com Cuba e Nicarágua, a grande novidade que verteu tintas, atraiu sábios, produziu livros e seminários, vai acabar na delegacia como um triste fato policial de roubo do dinheiro público e suborno de parlamentares.
Só os que se arriscarem a ir até o fundo dessa abjeção, compreendê-la em todos os seus detalhes mórbidos, têm chances de submergir para continuar o processo histórico.
Por incrível que pareça, o Brasil continua, e a vontade de mudar é mais urgente do que em 2002. Por isso proponho agora um curto e eficaz trabalho de luto.
Anotação final: começa o espetáculo da CPI, secretárias e suas agendas, ex-mulheres e suas mágoas, arapongas, tesoureiros e seus charutos, vossa excelência para cá, vossa excelência para lá, sigilos bancários, telefônicos, emocionais.
Viu, Duda, que cenas finais melancólicas quando um mercador tenta aplicar à complexidade da política a singeleza do vendedor de sabonetes?
As pessoas têm suas carreiras, seus empregos, sua racionalizações. É preciso respeitá-las, atravessar o deserto sem ressentimentos. Agora, sobretudo, é preciso respeitar o sofrimento dos vencidos. Outro dia, quando me referi a um núcleo na Casa Civil como um bando de ladrões que atentava contra a democracia, uma jovem deputada do PT estremeceu. Senti que não estava ainda preparada para essas palavras cruas. E fui percebendo pelas anotações que talvez esteja aí, para o escritor, o mais rico manancial de toda essa crise. Como estão as pessoas do PT? Como se ajustam a essa nova realidade, que destino tomaram na vida?
Procuro não confundir, entre os que ainda defendem o governo, aqueles que são cínicos cúmplices e os outros, que apenas obedeceram a ordens sob a forma da aplicação do centralismo democrático. Alguns defendem porque ainda não conseguiram negociar com sua própria dor. Não podem suportá-la de frente. Mas terão de fazer algum dia, porque, por mais ingênuos que sejam, já perceberam que a mãe está no telhado.
Vamos ter de encarar juntos essa realidade. A grande experiência eleitoral da esquerda latino-americana, admirada por uma Europa desiludida com Cuba e Nicarágua, a grande novidade que verteu tintas, atraiu sábios, produziu livros e seminários, vai acabar na delegacia como um triste fato policial de roubo do dinheiro público e suborno de parlamentares.
Só os que se arriscarem a ir até o fundo dessa abjeção, compreendê-la em todos os seus detalhes mórbidos, têm chances de submergir para continuar o processo histórico.
Por incrível que pareça, o Brasil continua, e a vontade de mudar é mais urgente do que em 2002. Por isso proponho agora um curto e eficaz trabalho de luto.
Anotação final: começa o espetáculo da CPI, secretárias e suas agendas, ex-mulheres e suas mágoas, arapongas, tesoureiros e seus charutos, vossa excelência para cá, vossa excelência para lá, sigilos bancários, telefônicos, emocionais.
Viu, Duda, que cenas finais melancólicas quando um mercador tenta aplicar à complexidade da política a singeleza do vendedor de sabonetes?
- Fernando Gabeira -
Texto veiculado no jornal Folha de S. Paulo, em 18.06.2005, disponível na página http://www.gabeira.com.br
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