Pior é quando ela tenta mudar tudo. E põe aquele quadro caríssimo – artista contemporâneo, tendêeencia! – numa sala que não tem nem mesmo um sofá que preste?! Um desastre.
A fofa, toda metida a besta, não desiste nunca. Aí presenteia o bofe – sim, ela está doida e Aí fica aquela batedeira high-tech fazendo companhia aos três pratos chinfrins e aos garfos tortos – como se o Uri Geller, aquele parapsicólogo que aparecia no Fantástico das antigas, tivesse jantado por lá ou feito faxina na área.
Ela começa a revirar geral, um deus-nos-acuda, numa casa onde ninguém havia mudado sequer uma planta de lugar. O reino vegetal, aliás, é outro ponto fraco do macho solteiro convicto – prestem atenção, amigas da UMA. Jarros, flores? Nem de plástico.
Na casa do homem solteiro típico, a utilidade triunfa sobre a estética. O cúmulo do utilitarismo. Sofá da tia-avó vira cama, como diz a minha amiga D., co-autora desta crônica. A cama vira sofá, a rede vira sofá e cobertor, o cobertor vira cortina preso à persiana... A falta de cortina é outra marca registrada do desmantelo do cavaleiro solitário. Quando muito, papel filme.
Abajur? De jeito maneira. Tosco no último, ele não tem cultura de luz indireta, nem nunca terá, esqueça.
Outro traço de personalidade do macho solteiro convicto: tudo que chega até a cozinha vira tupperware – aquelas embalagens plásticas de lasanha comprada pronta, caixinha de entrega de comida chinesa ou japonesa, potes de sorvete... Melhor assim do que as frescuras do ex da minha amiga D., a mesma acima citada. Ela entrou na casa dele e logo ouviu a advertência, em altos brados:
“Não pisa de salto no meu carpete de madeira!”.
E você, leitora, o que prefere, um homem solteiro e tosco ou aquele metrossexual cuja banqueta de cremes é de longe maior do que a sua?







