quinta-feira, 4 de maio de 2006

Paz Interior

O budismo, a meditação, acredito eu, são ótimas formas de se alcançar a paz interior.
Um dia desses eu li uma reportagem sobre uma monja budista (Monja Coen) que me fez enxergar muitos pontos na minha vida. Dizia ela que para ser monje, além de compaixão, amor e tranqüilidade, é necessário que isso seja uma prática de vida, uma entrega àquilo que a gente acredita ser o caminho da verdade e um trabalho que é servir, como é que se pode servir melhor o mundo, as pessoas, o que é possível levar à elas de mensagem.
Não que eu vá virar monja. Mas, é interessante que às vezes a pessoa está muito desesperada e pode querer até pensar em alguma coisa ruim e, só pelo fato de se olhar a imagem de um monje ali, parece que tem uma alternativa pra vida, pra todos aqueles problemas. Que eu posso me transformar em uma pessoa diferente. Tudo aquilo que eu acho que é insustentável no meu dia a dia pode ser transformado se eu me transformo.
Meditando, é possível analisar muitas questões. Se perguntar e procurar por respostas. Aquelas de todos nós, por exemplo: O que é Deus, por que estamos vivos, qual o significado da vida e da morte... Em meditação parece que essas respostas todas que estão em nós afloraram pro consciente. E vem dar uma grande tranqüilidade, uma espécie de revisão da vida. Revisar tudo mesmo: rancores de passado, de infância, de adolescência... E tudo isso faz parte da tapeçaria da nossa vida. Não tem nada pra ser jogado fora. É como se fossem realmente linhas coloridas, que vão construindo a nossa vida. E são preciosas. Então quando nós percebemos isso é a transformação. É uma busca interior.
Tenho visto bastante sobre meditação, e vou falar um pouquinho dela pra vocês. Essa idéia de se esvaziar a mente quando se medita é engraçada, porque a mente já está vazia, né?! Na verdade, a meditação é um processo contínuo de transformação. Ela é luminosa e incessante. Então nós percebemos o incessante movimento da mente. Quando nós nos sentamos em meditação, nós percebemos que temos pensamentos, sensações, memórias, sentimentos, emoções, e que tudo isso somos nós. E esvaziar-se é não se pegar em nenhum deles. Por exemplo: eu percebo um pensamento e eu não penso o pensamento. Eu reconheço: isso é um pensamento. Isso é uma emoção. Como é que ela passa no meu corpo? E nós trabalhamos muito estar presente no instante e não mascarar o que somos e o que sentimos. Cada emoção é importante, é sagrada, é preciosa. Nós humanos temos em nós todas essas sementes lindas e as possibilidades da vida humana. E todas elas são boas. Agora: quais que nós regamos e permitimos que se manifestem com clareza em nossa vida?
Dalai Lama tem uma mensagem muito linda: “Temos todos a semente do bem. Vamos praticar, regar essa semente. Não é só com a meditação e o coração, mas de maneira consciente, que através da reflexão vamos chegar a perceber que somos um só corpo, uma só vida com tudo que existe no universo”. Tem mais uma: “Não são as pessoas que são más, as ações é que são más”. Nós reprovamos ações errôneas, mas nós temos que reconhecer os seres humanos às vezes até na sua incapacidade de fazer o bem limitados pelas suas experiências. Então o que a gente tem que procurar desenvolver é esse olhar maior, que vê por trás. Não só às vezes com a pessoa agressiva conosco. Mas perguntar: qual é a necessidade que não foi atendida? O que está se passando com esse ser humano? E quando nós podemos ter esse olhar maior, mais amplo, existe no nosso coração a compaixão e a acolhida. E se o nosso coração é amoroso, a resposta que vem é amorosa.
Tem também uma definição de compaixão do Dalai Lama: “A compaixão é uma atitude fundada na aspiração de que os outros se livrem de sofrimento. Está vinculada ao compromisso, responsabilidade e respeito para com o outro que como nós não quer sofrer e tem o direito à felicidade”. Cultivar um sentimento de proximidade e de calor humano compassivo pelos outros gera em nós um estado de paz. Essa é a causa mais poderosa de sucesso na vida. É pensar o bem, é transmitir o bem, seja através da alegria, do amor, da compaixão, que são essas sementes que valem a pena ser regadas e você sente de volta.
Se uma pessoa rude chega te enfrentando, te dando ódio, rancor, inveja, se você devolver em um novo formato, que é o amor, a compaixão, e transmitir isso, dificilmente você consiga cultivar esse sentimento de raiva.
As mãos juntas são muito usadas na cultura oriental, e também no meu tão amado Rolidei!! Elas significam: Eu respeito o “eu” que habita em você. Mas também: Não tenho nada a esconder, estou unida, o direito e o esquerdo está uno, quando nós entramos em integridade, o uno que se opõe ao dual. O contrário do que divide e separa é o que une. Quando estamos com as mãos unidas é como se todo o universo se unisse. Não é lindo?
Para terminar esse post, que para mim também é como uma meditação, queria deixar essa mensagem para que todos possam refletir sobre. Essa também é uma mensagem do Dalai Lama: “Visto que nossa vida começa e termina com a necessidade de afetos e cuidados, não seria sensato praticarmos a compaixão e o amor ao próximo enquanto podemos? Todos nós precisamos de afeto e cuidado e que nós sejamos capazes de dar esse afeto e cuidado que nós precisamos a todos os seres. À toda a vida na terra. Aos animais, às plantas, às arvores, aos objetos que nós tocamos e principalmente à todos os seres humanos. De coração à coração, o respeito à vida, a aceitação do diferente e a capacidade de amar incondicionalmente”.

1 comentários:

Pathy disse...

Nina, ADOREI esse post!!
Um monte de beijos!!

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